Como salvar uma planta com excesso de água?

setembro 30, 2026

Percebeu que exagerou na rega? A primeira atitude é interromper novas irrigações e entender por que a água está permanecendo na região das raízes. Dependendo da intensidade e do tempo de encharcamento, corrigir a drenagem e o manejo da água pode permitir a recuperação da planta. Casos com raízes severamente danificadas exigem mais atenção.

Beatriz Karins | Engenheira Agrônoma UFPR | Bia do Agro

Regar demais uma planta não significa necessariamente que ela está perdida. Mas também não existe uma receita capaz de recuperar qualquer planta que sofreu com excesso de água.

O resultado depende de vários fatores, como a espécie, o tempo em que as raízes permaneceram em condições desfavoráveis, a drenagem do recipiente ou do solo e a intensidade dos danos já provocados no sistema radicular.

Se você percebeu o problema cedo, algumas medidas simples podem ajudar. O mais importante é não tentar corrigir o excesso de água com novas intervenções sem antes entender o que está acontecendo.

Por que o excesso de água prejudica a planta?

O problema não é simplesmente a presença de água. As raízes também precisam de oxigênio para manter seu metabolismo e funcionar adequadamente.

Quando os espaços do solo ou do substrato permanecem ocupados por água durante períodos prolongados, a disponibilidade de oxigênio na região das raízes diminui. Essa condição é chamada de hipóxia quando há baixa disponibilidade de oxigênio e pode chegar à anoxia quando a disponibilidade se torna extremamente limitada.

A consequência é que o funcionamento das raízes pode ser comprometido. A absorção de água e nutrientes diminui e a parte aérea começa a apresentar sintomas.

É por isso que uma planta submetida ao excesso de água pode apresentar folhas amareladas, perda de vigor e até murcha, mesmo estando em um substrato bastante úmido.

O que fazer quando você percebe que regou demais?

1. Pare de regar temporariamente

Se o substrato já está excessivamente úmido, adicionar mais água tende a prolongar a condição que causou o problema.

Antes de pensar na próxima irrigação, observe a umidade existente e permita que o excesso de água seja eliminado.

Isso não significa estabelecer um número fixo de dias sem regar. A velocidade com que o substrato perde água varia conforme temperatura, umidade do ar, espécie, tamanho da planta, recipiente e características do próprio substrato.

2. Confira se a água consegue sair do vaso

Observe os furos de drenagem do recipiente. Eles precisam permitir a saída da água excedente.

Se houver água acumulada no prato sob o vaso, descarte esse excesso e evite manter a base do recipiente continuamente em contato com água.

Também vale observar se os furos estão obstruídos ou se o substrato apresenta compactação que dificulte a drenagem e a aeração.

3. Observe antes de fazer intervenções mais agressivas

Um erro comum é perceber que a planta recebeu água demais e imediatamente retirar todas as raízes do vaso, lavar o sistema radicular ou trocar completamente o substrato.

Nem toda planta que recebeu água em excesso precisa passar por esse tipo de intervenção. Manipular raízes também provoca estresse e pode danificar tecidos que ainda estão funcionais.

Se o problema foi pontual, o vaso drena adequadamente e a planta ainda apresenta boas condições, corrigir a frequência de irrigação e acompanhar a evolução pode ser suficiente.

Quando vale a pena examinar as raízes?

Se o substrato permanece encharcado por muito tempo, a planta continua piorando ou existem sinais de comprometimento radicular, uma avaliação mais cuidadosa pode ser necessária.

O encharcamento prolongado pode causar escurecimento e morte de tecidos das raízes. A Embrapa descreve esse tipo de dano em plantas submetidas à asfixia do sistema radicular.

Entretanto, raiz escura não deve ser interpretada isoladamente como prova de excesso de água. Algumas doenças radiculares também provocam necrose e morte das raízes, e ambientes com pouca aeração e excesso de umidade podem favorecer determinados patógenos.

Excesso de água e podridão de raízes são a mesma coisa?

Não necessariamente.

O excesso de água é uma condição ambiental. Já uma podridão radicular pode envolver organismos capazes de causar doenças.

As duas situações podem, entretanto, estar relacionadas. A Embrapa relata, por exemplo, maior incidência de podridão radicular causada por Pythium em morangueiros cultivados em condições de solo compactado, pouco aerado e encharcado.

Por isso, não é adequado concluir que toda raiz danificada após excesso de irrigação está simplesmente “apodrecendo por causa da água”. O diagnóstico correto depende da planta e das condições em que ela está sendo cultivada.

É preciso trocar o substrato?

Depende da situação.

Se o substrato apresenta drenagem inadequada, permanece saturado por períodos excessivamente longos ou está muito compactado, pode ser necessário corrigir as condições físicas de cultivo.

Mas trocar o substrato apenas porque ocorreu uma rega excessiva isolada pode não ser necessário.

Antes de decidir, observe se o problema está na quantidade de água aplicada, na frequência das irrigações, no recipiente, na drenagem ou nas características do próprio substrato.

Devo colocar a planta no sol para secar mais rápido?

Evite mudanças bruscas de ambiente apenas com a intenção de acelerar a secagem.

Uma planta já submetida a estresse radicular pode sofrer ainda mais se for transferida repentinamente para condições de radiação e temperatura muito diferentes daquelas às quais estava adaptada.

O melhor é manter condições adequadas à espécie, favorecer a drenagem e corrigir a origem do excesso de umidade.

E adubo? Pode ajudar a planta a se recuperar?

Adicionar fertilizante não corrige a falta de oxigênio nas raízes.

Se o sistema radicular está comprometido, sua capacidade de absorver água e nutrientes também pode estar reduzida. Portanto, aplicar mais nutrientes sem corrigir o problema de drenagem não resolve a causa do estresse.

Primeiro é necessário restabelecer condições adequadas para o funcionamento das raízes. A adubação deve seguir as necessidades da espécie e as condições do cultivo, e não funcionar como uma tentativa de “ressuscitar” rapidamente uma planta estressada.

Como saber se a planta está se recuperando?

A recuperação não deve ser avaliada apenas pelas folhas que já foram danificadas. Folhas que amarelaram ou sofreram necrose podem não voltar à aparência anterior.

Observe principalmente a estabilização dos sintomas e, posteriormente, a retomada do crescimento e a formação de novos tecidos saudáveis.

Também continue acompanhando a umidade do substrato. Se ele permanece constantemente encharcado mesmo depois de você reduzir as regas, o problema provavelmente não está apenas na frequência de irrigação.

Como evitar que isso aconteça novamente?

A melhor estratégia é abandonar a ideia de que todas as plantas precisam receber água em dias fixos.

A necessidade hídrica varia conforme clima, espécie, fase de desenvolvimento, tamanho da planta, características do solo ou substrato e condições de cultivo.

Antes de regar novamente, observe a umidade e as necessidades específicas da planta.

Se você ainda tem dúvida sobre como reconhecer os primeiros sinais, leia também como saber se estou regando demais a planta. Nesse conteúdo explicamos os principais indícios que ajudam a diferenciar uma rega excessiva de uma irrigação realmente necessária.

O amarelecimento das folhas também pode gerar confusão. Por isso, temos um conteúdo específico explicando por que as folhas das plantas ficam amarelas e quais fatores precisam ser considerados antes de concluir que o problema é falta de adubo ou de água.

Salvar a planta começa pelas raízes

Quando existe excesso de água, a melhor estratégia não é procurar uma solução milagrosa. É identificar a causa e devolver ao sistema radicular condições adequadas de umidade e aeração.

Interromper novas regas enquanto o substrato permanece excessivamente úmido, conferir a drenagem, evitar água acumulada e acompanhar a resposta da planta são os primeiros passos.

Se houver comprometimento severo das raízes, sintomas progressivos ou suspeita de doença, a situação exige uma avaliação mais específica.

Quanto mais cedo o problema for percebido, maior a possibilidade de corrigir o manejo antes que o sistema radicular sofra danos irreversíveis.

Fontes consultadas

Embrapa Uva e Vinho. Sistema UZUM Morango. Encharcamento (excesso de água). Material técnico sobre asfixia radicular, redução da absorção de água e nutrientes e sintomas provocados pelo encharcamento.

Embrapa. Características morfofisiológicas de gramíneas associadas à tolerância a alagamento e a encharcamento. Documento técnico sobre hipóxia, funcionamento das raízes e respostas das plantas ao excesso de água no solo.

Embrapa Uva e Vinho. Sistema UZUM Morango. Podridão de raiz (Pythium spp.). Material técnico sobre condições que favorecem doenças radiculares, incluindo baixa aeração e encharcamento.

Embrapa. Manejo de irrigação de baixo custo para a agricultura familiar. Documento técnico sobre quantidade de água, espaço poroso do solo, disponibilidade de oxigênio e consequências do excesso de irrigação.

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Adubação de horta: como manter a fertilidade do solo sem exagerar nos nutrientes?

setembro 30, 2026

Manter uma horta produtiva não significa aplicar adubo constantemente. Hortaliças podem retirar quantidades importantes de nutrientes do solo, mas adubações feitas sem considerar a fertilidade existente também podem provocar acúmulos e desequilíbrios. O caminho mais seguro é conhecer o solo, considerar as necessidades de cada cultura e repor nutrientes de maneira planejada.

Beatriz Karins | Engenheira Agrônoma UFPR | Bia do Agro


Quem cultiva uma horta provavelmente já ouviu recomendações como colocar esterco regularmente, usar uma determinada formulação de adubo ou fazer adubações frequentes para as plantas crescerem mais rápido.

Mas existe uma questão importante que muitas vezes fica esquecida: o solo pode já ter parte dos nutrientes de que a planta precisa.

Quando continuamos adicionando fertilizantes sem saber o que está disponível, podemos passar da deficiência para o excesso. E uma horta bem adubada não é necessariamente uma horta que recebe muito adubo.

O objetivo da adubação é fornecer nutrientes de maneira equilibrada, considerando a fertilidade do solo e a necessidade da cultura.

Por que a horta precisa de reposição de nutrientes?

As plantas absorvem nutrientes do solo durante seu crescimento. Parte desses nutrientes fica nas folhas, raízes, frutos, caules e demais estruturas vegetais.

Quando colhemos uma alface inteira, retiramos nutrientes daquele sistema. O mesmo acontece quando colhemos cenouras, tomates, couves e outras hortaliças.

Por isso, áreas cultivadas repetidamente precisam de manejo da fertilidade.

A Epagri destaca que as hortaliças absorvem quantidades elevadas de nutrientes em períodos relativamente curtos e que muitas delas retiram uma parcela importante desses nutrientes da área por meio da colheita.

Isso ajuda a entender por que a adubação é tão importante na produção de hortaliças. Mas também nos leva à próxima pergunta: quanto realmente precisa ser reposto?

Antes de adubar, descubra o que já existe no solo

Esse é um dos pontos mais importantes no manejo da fertilidade.

A análise química do solo permite avaliar características como acidez e disponibilidade de nutrientes. A partir desses resultados, é possível identificar limitações e definir com mais segurança a necessidade de correção e adubação.

A Embrapa considera a análise de solo uma ferramenta fundamental para determinar quanto o solo já consegue fornecer e auxiliar na decisão sobre a quantidade de nutrientes que deverá ser adicionada.

Sem essa informação, a adubação acaba sendo feita muito mais por tentativa do que por necessidade.

Por que colocar adubo demais pode ser um problema?

Quando pensamos em nutrição vegetal, é comum associar deficiência a problemas e abundância a plantas mais produtivas. Na prática, a relação não é tão simples.

O uso repetido de fertilizantes acima da necessidade das culturas pode aumentar a concentração de determinados nutrientes no solo.

Em áreas de produção de hortaliças, por exemplo, a literatura técnica registra situações de acúmulo de fósforo e potássio decorrentes de adubações excessivas.

Além do desperdício financeiro, o excesso pode provocar desequilíbrios nutricionais e aumentar o risco de perdas de nutrientes para o ambiente.

Adubar mais não significa necessariamente produzir mais.

Cada hortaliça tem uma necessidade diferente

Outro problema das receitas prontas é tratar todas as plantas da horta como se tivessem as mesmas exigências.

Uma alface, uma cenoura e um tomateiro apresentam ciclos, desenvolvimento e padrões de absorção de nutrientes diferentes.

Até dentro de uma mesma cultura, a recomendação pode mudar conforme fertilidade inicial do solo, produtividade esperada, condições locais e histórico de manejo.

É por isso que recomendações técnicas de adubação são associadas à cultura e à interpretação da análise de solo.

E a matéria orgânica?

A matéria orgânica tem papel importante na qualidade e na fertilidade do solo.

Além de participar do fornecimento de nutrientes por meio dos processos de decomposição e mineralização, ela influencia características físicas e químicas importantes do solo.

A Embrapa destaca, entre outros benefícios, sua contribuição para a capacidade de troca de cátions, agregação das partículas e retenção de água.

Isso torna compostos orgânicos e outros materiais uma ferramenta interessante no manejo de hortas.

Mas existe um detalhe fundamental: adubo orgânico também fornece nutrientes.

Portanto, ser de origem orgânica não significa que possa ser aplicado indefinidamente ou em qualquer quantidade.

Posso usar esterco na horta?

Estercos podem ser fontes de matéria orgânica e nutrientes, mas precisam ser utilizados com critério.

A composição varia conforme a origem do material, alimentação dos animais, armazenamento e processo de tratamento. Isso significa que diferentes estercos podem fornecer quantidades bastante diferentes de nutrientes.

Além disso, materiais de origem animal utilizados em hortaliças exigem atenção especial às condições sanitárias, principalmente quando estamos falando de culturas consumidas cruas.

Por isso, não é adequado simplesmente estabelecer uma quantidade universal de esterco que funcione para qualquer horta.

O pH também interfere na fertilidade

Uma planta pode estar em um solo que contém nutrientes e, ainda assim, encontrar dificuldade para aproveitá-los adequadamente.

Um dos fatores envolvidos nisso é o pH.

A acidez do solo interfere na disponibilidade de diferentes nutrientes e, por isso, a correção do solo pode fazer parte do manejo da fertilidade.

Mas aqui vale a mesma regra utilizada para a adubação: não devemos aplicar calcário simplesmente porque a horta parece estar fraca.

A necessidade de calagem deve ser determinada a partir da análise do solo e das recomendações adequadas à cultura e à região.

Como manter a fertilidade da horta ao longo do tempo?

Em vez de pensar na adubação como uma ação isolada, é mais interessante enxergar a fertilidade como um processo contínuo de manejo.

O primeiro passo é conhecer o solo. Depois, é necessário considerar quais hortaliças serão cultivadas, o histórico de adubações da área e quanto cada ciclo de produção está retirando daquele sistema.

A matéria orgânica também deve fazer parte desse planejamento, tanto pelos nutrientes que pode fornecer quanto pelos efeitos sobre as características do solo.

Em hortas cultivadas continuamente, análises periódicas ajudam a acompanhar as mudanças de fertilidade e identificar situações em que determinados nutrientes começam a se acumular ou ficar abaixo dos níveis desejáveis.

Um erro comum: tentar corrigir todo problema com adubo

Uma planta amarelada ou com crescimento reduzido não está necessariamente pedindo fertilizante.

Problemas de irrigação, raízes comprometidas, pH inadequado, doenças e outros fatores também podem produzir sintomas parecidos com deficiência nutricional.

Por exemplo, uma planta submetida ao excesso de água pode ter seu sistema radicular prejudicado e apresentar amarelecimento mesmo que existam nutrientes disponíveis no solo.

Se você estiver enfrentando esse tipo de situação, vale conferir também nosso conteúdo sobre por que as folhas das plantas ficam amarelas antes de decidir aumentar a adubação.

Então qual é a melhor adubação para uma horta?

Não existe uma única fórmula que seja a melhor para todas as hortas.

A recomendação depende da cultura, das características do solo, da fertilidade existente, do histórico da área e do sistema de produção.

Por isso, quando alguém pergunta quanto de NPK, esterco ou composto deve colocar na horta sem fornecer nenhuma dessas informações, qualquer número apresentado como regra geral merece cautela.

Para uma pequena horta doméstica, talvez pareça exagero pensar em análise de solo. Mas, principalmente quando o cultivo é contínuo ou ocupa uma área maior, ela ajuda a substituir o "achismo" por informação.

Manter a fertilidade significa repor o que é necessário, preservar as boas condições do solo e evitar tanto a deficiência quanto o excesso.

Esse equilíbrio tende a ser muito mais eficiente do que simplesmente aumentar a quantidade de fertilizante sempre que aparece algum problema na horta.

Fontes consultadas

Embrapa Hortaliças. Correção do solo. Material técnico sobre exigência nutricional das hortaliças, análise química do solo, adubação equilibrada e riscos associados ao uso excessivo de fertilizantes.

Embrapa Hortaliças. Adubação e nutrição da cenoura. Material técnico sobre recomendação de fertilizantes baseada na análise química do solo e problemas relacionados à adubação excessiva em cultivos de hortaliças.

Embrapa Hortaliças. Adubação no sistema orgânico de produção de hortaliças. Circular Técnica 65. Documento sobre fertilidade, matéria orgânica, adubação e manejo de nutrientes em sistemas de produção de hortaliças.

Epagri. Hortaliças. Capítulo do Manual de Calagem e Adubação para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Material técnico sobre exigência nutricional das hortaliças, reposição de nutrientes e consequências da adubação excessiva.

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Como saber se estou regando demais a planta?

setembro 30, 2026

Regar demais pode ser tão prejudicial quanto deixar uma planta sem água. Solo constantemente encharcado reduz a disponibilidade de oxigênio para as raízes e pode comprometer o desenvolvimento da planta. O segredo não é seguir um calendário fixo, mas aprender a observar o solo, a drenagem e os sinais da própria planta.

Beatriz Karins | Engenheira Agrônoma UFPR | Bia do Agro

Quando uma planta começa a ficar amarelada, murcha ou com aparência pouco vigorosa, uma das primeiras reações costuma ser aumentar a quantidade de água. O problema é que esses sintomas nem sempre significam falta de irrigação. Em algumas situações, ocorre justamente o contrário.

O excesso de água na região das raízes pode causar um ambiente com baixa disponibilidade de oxigênio. Isso interfere no funcionamento do sistema radicular e pode dificultar a absorção de água e nutrientes.

Por isso, antes de pegar o regador novamente, vale observar alguns sinais.

O que acontece com as raízes quando há água demais?

As raízes não precisam apenas de água. Elas também dependem da presença de oxigênio no solo ou no substrato para manter processos essenciais ao seu funcionamento.

Quando os espaços porosos permanecem preenchidos por água durante muito tempo, a disponibilidade de oxigênio pode diminuir. Em situações de encharcamento, essa condição pode prejudicar as raízes e reduzir sua capacidade de absorção.

Esse é um dos motivos pelos quais uma planta em solo muito úmido pode apresentar sintomas que parecem contraditórios. Mesmo cercada por água, ela pode murchar ou perder vigor porque seu sistema radicular não está funcionando adequadamente.

Quais são os sinais de excesso de água?

Não existe um único sintoma que confirme sozinho o excesso de irrigação. O diagnóstico deve considerar a planta, o substrato, a drenagem e a frequência das regas.

Alguns sinais, entretanto, merecem atenção.

1. O solo permanece molhado por muito tempo

Esse é um dos indícios mais úteis. Se o substrato continua muito úmido vários dias depois da rega, é importante verificar se a quantidade de água aplicada está adequada e se existe boa drenagem.

Vasos sem furos suficientes, pratos constantemente cheios de água e substratos muito compactados podem prolongar a saturação ao redor das raízes.

2. As folhas começam a amarelar

O amarelecimento pode aparecer quando o sistema radicular está submetido ao excesso de umidade. A baixa disponibilidade de oxigênio pode comprometer a atividade das raízes e a absorção de nutrientes.

Mas atenção: folha amarela não significa automaticamente excesso de água. Deficiências nutricionais, problemas radiculares, doenças, senescência natural e outros fatores também podem produzir sintomas semelhantes.

Se esse é o principal sintoma da sua planta, veja também nosso conteúdo sobre por que as folhas das plantas ficam amarelas.

3. A planta murcha mesmo com o solo úmido

Murcha é frequentemente associada à falta de água, mas também pode ocorrer em condições de encharcamento.

Quando as raízes são prejudicadas pela baixa disponibilidade de oxigênio, sua capacidade de funcionamento pode ser reduzida. Por isso, encontrar uma planta murcha enquanto o solo continua bastante úmido é um sinal que merece investigação antes de realizar outra rega.

4. As raízes apresentam escurecimento

Em condições mais severas e prolongadas de encharcamento, podem ocorrer danos ao sistema radicular. A Embrapa descreve, por exemplo, escurecimento e morte de tecidos radiculares em plantas submetidas à asfixia das raízes.

É importante lembrar que raízes escuras também podem estar relacionadas a outros problemas. Portanto, o aspecto das raízes deve ser analisado junto com as condições de umidade e drenagem.

Como saber se realmente está na hora de regar?

A resposta depende da espécie, do tamanho da planta, do tipo de solo ou substrato, do recipiente, da temperatura, da umidade do ar e de outras condições ambientais.

É por isso que recomendações como “regue a cada dois dias” nem sempre funcionam.

Uma planta cultivada em ambiente quente e seco pode consumir água muito mais rapidamente do que a mesma espécie mantida em condições mais amenas. Da mesma forma, substratos apresentam capacidades diferentes de retenção e drenagem de água.

Observe a umidade antes de regar novamente

Para plantas cultivadas em vasos, uma avaliação simples do substrato ajuda a evitar regas automáticas. Antes de adicionar mais água, observe se a camada superficial ainda está muito úmida e considere também as exigências específicas da espécie.

O objetivo não é deixar todas as plantas secarem completamente. Algumas espécies são mais sensíveis à deficiência hídrica do que outras. A ideia é evitar a irrigação simplesmente porque chegou determinado dia da semana.

A drenagem do vaso faz diferença?

Faz muita diferença.

O recipiente precisa permitir a saída do excesso de água. Quando a drenagem é insuficiente, a água pode permanecer por mais tempo na região das raízes, aumentando o risco de condições desfavoráveis à aeração.

Também é importante observar o substrato. Materiais excessivamente compactados podem apresentar comportamento diferente de substratos estruturados para favorecer simultaneamente retenção de água e aeração.

Se houver um prato sob o vaso, evite manter água acumulada continuamente em contato com a parte inferior do recipiente.

Reguei demais. O que fazer agora?

Se o substrato está excessivamente úmido, não continue adicionando água apenas por rotina. Primeiro verifique se os furos de drenagem estão livres e permita que o excesso de água seja eliminado.

Depois, acompanhe a evolução da umidade antes da próxima irrigação.

Em situações persistentes, é importante investigar por que o substrato permanece encharcado. O problema pode estar na frequência das regas, no volume aplicado, na drenagem do recipiente, nas características do substrato ou em uma combinação desses fatores.

Quando há danos severos às raízes, sintomas persistentes ou suspeita de doenças radiculares, a avaliação precisa considerar a espécie e as condições específicas de cultivo.

Mais água não significa necessariamente mais cuidado

Uma boa irrigação procura fornecer água de acordo com a necessidade da planta e com as condições do ambiente. Tanto a deficiência quanto o excesso podem prejudicar o desenvolvimento vegetal.

Por isso, em vez de transformar a rega em uma tarefa automática do calendário, observe o sistema como um todo: planta, raízes, substrato, drenagem e ambiente.

Com o tempo, essa observação ajuda a perceber quando a planta realmente precisa de água e reduz um dos erros mais comuns no cultivo doméstico: regar novamente um substrato que ainda permanece úmido.

Fontes consultadas

Embrapa Uva e Vinho. Sistema UZUM. Excesso de água (alagamento). Material técnico sobre os efeitos da restrição de oxigênio nas raízes e suas consequências para a absorção de nutrientes e desenvolvimento das plantas.

Embrapa Uva e Vinho. Sistema UZUM Morango. Encharcamento (excesso de água). Material técnico sobre asfixia radicular, redução da absorção de água e nutrientes e sintomas associados ao encharcamento.

Embrapa. Agência de Informação Tecnológica. Necessidade e manejo da irrigação. Material técnico sobre umidade do solo, disponibilidade de oxigênio às raízes e fatores que determinam quando e quanto irrigar.

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Por que as folhas das plantas ficam amarelas?

setembro 29, 2026

Folhas amarelas podem indicar desde um processo natural da planta até problemas de nutrição, irrigação, raízes ou doenças. Entender onde o amarelecimento começa e como ele evolui ajuda a identificar a possível causa.

Beatriz Karins | Engenheira Agrônoma UFPR | Bia do Agro

Você olha para uma planta que estava verde e saudável e percebe que algumas folhas começaram a ficar amarelas. A primeira reação costuma ser pensar: está faltando adubo?

Pode ser. Mas essa é apenas uma das possibilidades.

O amarelecimento das folhas é chamado de clorose e está relacionado à redução ou perda da coloração verde do tecido vegetal. Como diferentes problemas podem provocar sintomas semelhantes, a folha amarela deve ser interpretada como um sinal de que algo precisa ser observado, e não como um diagnóstico por si só.

Antes de aplicar fertilizante, mudar a irrigação ou utilizar qualquer produto, vale observar a planta inteira.

1. Primeiro observe quais folhas estão amarelando

Um dos primeiros detalhes que ajudam a investigar o problema é identificar onde o amarelecimento começou.

As folhas mais velhas estão amarelando primeiro? Ou são justamente as folhas novas que apresentam o sintoma?

Essa diferença pode fornecer pistas importantes porque os nutrientes apresentam comportamentos diferentes dentro da planta.

Alguns nutrientes possuem maior mobilidade. Quando há deficiência, a planta consegue redistribuir parte deles dos tecidos mais antigos para os tecidos mais jovens. Nesses casos, os sintomas podem aparecer primeiro nas folhas mais velhas.

Outros nutrientes apresentam menor mobilidade e, dependendo da situação, os sintomas podem surgir primeiro nas partes mais novas.

Por isso, simplesmente observar uma folha amarela isoladamente pode não ser suficiente. É importante olhar o padrão do sintoma na planta como um todo.

2. Nem toda folha amarela significa falta de nutriente

Essa é uma confusão bastante comum.

Quando uma planta começa a amarelar, muitas pessoas imediatamente aplicam algum fertilizante acreditando que existe uma deficiência nutricional.

O problema é que folhas amarelas também podem estar relacionadas a outros fatores, como:

  • excesso ou falta de água;
  • problemas no sistema radicular;
  • compactação ou baixa aeração do solo;
  • alterações de pH;
  • baixa disponibilidade de determinados nutrientes;
  • danos provocados por pragas ou doenças;
  • estresses ambientais;
  • envelhecimento natural das folhas.

Isso explica por que aplicar fertilizante sem conhecer a causa pode não resolver o problema.

Em algumas situações, o nutriente pode até estar presente no solo, mas alguma condição está dificultando sua absorção pelas raízes.

3. Excesso de água também pode deixar a planta amarela

Quando falamos em plantas murchando ou amarelando, é comum pensar primeiro em falta de água. Porém, o excesso de água também pode provocar problemas importantes.

As raízes precisam de água, mas também precisam de oxigênio.

Quando o solo ou substrato permanece encharcado por períodos prolongados, os espaços que normalmente contêm ar ficam ocupados pela água. Isso reduz a disponibilidade de oxigênio para as raízes e pode prejudicar seu funcionamento.

Com raízes comprometidas, a absorção de água e nutrientes também pode ser afetada.

Por isso, uma planta com folhas amarelas e solo constantemente encharcado merece atenção especial para a drenagem e para a frequência das irrigações.

4. E quando realmente é deficiência nutricional?

As deficiências nutricionais podem provocar alterações bastante características nas folhas, mas o diagnóstico visual deve ser feito com cuidado.

O nitrogênio, por exemplo, participa diretamente da formação de moléculas importantes para o crescimento vegetal e está associado à manutenção da coloração verde das plantas. Em situações de deficiência, pode ocorrer amarelecimento que normalmente se torna mais evidente nas folhas mais velhas.

Já outros nutrientes podem produzir padrões diferentes, inclusive clorose entre as nervuras, alterações nas folhas mais jovens ou deformações.

O padrão do amarelecimento importa

Observe se a folha está:

  • completamente amarela;
  • amarela apenas entre as nervuras;
  • com as nervuras ainda verdes;
  • com manchas amareladas irregulares;
  • com bordas alteradas;
  • apresentando também necrose ou deformação.

Essas características ajudam a direcionar a investigação, mas não devem ser utilizadas isoladamente para definir uma adubação.

5. O pH pode interferir mesmo quando o nutriente está no solo

Existe outro detalhe importante: ter nutrientes no solo não significa necessariamente que a planta conseguirá absorvê-los adequadamente.

O pH influencia a disponibilidade de diversos nutrientes.

Quando as condições químicas do solo estão inadequadas para determinada cultura, alguns elementos podem ficar menos disponíveis, enquanto outros podem atingir concentrações indesejáveis.

É por isso que uma análise de solo é muito mais útil do que tentar corrigir sintomas apenas pela aparência das folhas.

Ela ajuda a entender o ambiente onde as raízes estão se desenvolvendo e permite tomar decisões de manejo com uma base técnica melhor.

6. Problemas nas raízes podem aparecer primeiro nas folhas

Às vezes estamos olhando para a folha, mas o problema está embaixo do solo.

Raízes danificadas, baixa aeração, excesso de umidade, compactação e determinadas doenças podem prejudicar a capacidade da planta de absorver água e nutrientes.

Nessas condições, o amarelecimento da parte aérea pode ser uma consequência de um sistema radicular que não está funcionando adequadamente.

Se possível, observe também as raízes.

Raízes saudáveis, presença de podridões, cheiro anormal, escurecimento e baixa quantidade de raízes novas são informações que podem ajudar bastante na investigação.

7. Algumas folhas simplesmente envelhecem

Nem todo amarelecimento representa um problema.

As folhas possuem um ciclo de vida. Conforme envelhecem, algumas passam por um processo natural de senescência, perdem gradualmente a coloração verde e posteriormente caem.

Quando poucas folhas antigas amarelam enquanto a planta continua emitindo folhas novas, crescendo normalmente e apresentando bom aspecto geral, o fenômeno pode fazer parte do desenvolvimento natural.

O sinal de alerta aparece quando o amarelecimento se torna intenso, progride rapidamente ou vem acompanhado de outros sintomas.

O que observar antes de tentar corrigir?

Se você encontrou folhas amarelas em uma planta, tente responder algumas perguntas antes de tomar qualquer decisão:

  • o amarelecimento começou nas folhas novas ou nas mais velhas?
  • a folha inteira está amarela ou somente algumas regiões?
  • o solo está muito seco ou permanece constantemente molhado?
  • a drenagem está funcionando?
  • existem manchas, lesões, insetos ou outros sintomas?
  • houve mudança recente de temperatura, irrigação ou manejo?
  • o problema está ocorrendo em uma única planta ou em várias?

Quanto mais informações forem observadas, menor é a chance de tentar corrigir o problema errado.

Evite adubar apenas porque a folha ficou amarela

Esse talvez seja o cuidado mais importante.

Folha amarela não é sinônimo automático de falta de adubo.

Adicionar nutrientes sem saber o que está acontecendo pode aumentar custos, não resolver o problema e, dependendo da quantidade e do produto utilizado, ainda provocar desequilíbrios.

Em cultivos comerciais, a interpretação deve considerar análise de solo, análise foliar quando indicada, histórico da área, manejo realizado, sintomas observados e exigências específicas da cultura.

Em hortas e jardins, a mesma lógica continua válida: observe primeiro e intervenha depois.

O amarelecimento é uma pista, não o diagnóstico

Quando uma planta apresenta folhas amarelas, ela está mostrando um sintoma que merece investigação.

Pode existir deficiência nutricional, mas também podem estar envolvidos irrigação, drenagem, raízes, condições do solo, doenças, pragas, fatores ambientais ou simplesmente o envelhecimento natural de determinadas folhas.

Por isso, antes de perguntar “qual adubo devo aplicar?”, talvez a pergunta mais importante seja:

“Por que essa planta está ficando amarela?”

Na agronomia, observar o conjunto quase sempre é mais útil do que tentar interpretar um único sintoma isoladamente.

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Fertilizantes mais caros: 3 estratégias para usar melhor os nutrientes e reduzir desperdícios

setembro 29, 2026


Com a pressão sobre os preços dos fertilizantes, pesquisadores reforçam que economizar não significa simplesmente reduzir a adubação. A estratégia passa por conhecer o solo e aumentar a eficiência no uso dos nutrientes.

Beatriz Karins | Engenheira Agrônoma UFPR | Bia do Agro

O aumento dos custos dos fertilizantes voltou a colocar uma pergunta importante na mesa: como reduzir os gastos sem comprometer a produtividade?

Li o material “Crise dos fertilizantes: como apoiar agricultores diante da alta nos preços”, elaborado por Heitor Cantarella, pesquisador do Instituto Agronômico (IAC) e detentor da 5ª Cátedra Luiz de Queiroz, e Paulo Pavinato, professor associado do Departamento de Ciência do Solo da ESALQ/USP.

E uma das mensagens mais importantes do documento é justamente esta: diante de fertilizantes mais caros, a saída não é simplesmente cortar a adubação indiscriminadamente.

É preciso usar melhor os nutrientes disponíveis.

Por que o Brasil é tão sensível ao preço dos fertilizantes?

Segundo os autores, o Brasil importa atualmente cerca de 85% dos fertilizantes utilizados na agricultura. Isso deixa o país bastante exposto a problemas internacionais que afetem a produção, o transporte, a disponibilidade e o preço desses insumos.

O documento também mostra que as importações de fertilizantes de janeiro a agosto ficaram 14% abaixo das registradas em 2025. Para alguns produtos, a redução foi ainda maior: 23% para ureia e 18% para MAP.

Além da questão da oferta, existe outro problema: a relação de troca.

Os autores apontam que, no momento analisado, era necessário utilizar 22% mais soja para comprar fertilizantes fosfatados.

Ou seja, não estamos falando apenas de fertilizante caro. Estamos falando de um cenário em que aquilo que o produtor vende também compra menos fertilizante.

Nesse contexto, aumentar a eficiência da adubação deixa de ser apenas uma boa prática agronômica e passa a ter um peso ainda maior no planejamento financeiro da propriedade.

E é justamente aqui que entram três recomendações destacadas no material.

1. Análise de solo antes de decidir onde economizar

A primeira recomendação é também uma das mais básicas da agronomia: faça análise de solo.

Parece simples, mas ela muda completamente a maneira de pensar em redução de custos.

A análise permite identificar quais nutrientes já estão presentes em níveis satisfatórios, quais estão limitantes e também verificar condições como a acidez do solo.

Segundo o documento, quando determinado nutriente apresenta teor médio ou alto no solo, pode haver situações em que sua aplicação seja reduzida ou até temporariamente suprimida sem comprometer significativamente a produtividade.

Dessa maneira, o investimento pode ser direcionado para os nutrientes realmente limitantes.

Reduzir tudo não é a mesma coisa que adubar com eficiência

Perceba a diferença.

Não estamos falando em:

“O fertilizante está caro, então vou reduzir tudo.”

Estamos falando em:

“Vou descobrir o que meu solo realmente precisa e direcionar o dinheiro para aquilo que é mais importante.”

São estratégias completamente diferentes.

2. Calagem pode melhorar o aproveitamento dos nutrientes

Outro ponto bastante interessante do material é a importância dada ao calcário.

Em solos ácidos, como muitos dos encontrados no Brasil, a correção adequada da acidez pode aumentar a disponibilidade tanto dos nutrientes que já estão presentes no solo quanto daqueles fornecidos pela adubação.

Além disso, a calagem ajuda a neutralizar o alumínio tóxico, que pode comprometer o desenvolvimento das raízes, e fornece cálcio e magnésio para as plantas.

Isso nos leva a uma questão importante:

Não adianta olhar somente para quanto fertilizante será aplicado. É preciso olhar também para as condições que a planta terá para aproveitar esses nutrientes.

Os autores destacam ainda uma vantagem estratégica do calcário neste momento: trata-se de um insumo abundante no Brasil, produzido em diferentes regiões do país e cujo suprimento não depende das mesmas rotas internacionais mencionadas no documento para outros fertilizantes.

Por isso, corrigir adequadamente a acidez do solo pode ser uma estratégia importante para aumentar a eficiência dos nutrientes disponíveis.

3. Boas práticas ficam ainda mais importantes

Quando existe necessidade de trabalhar com quantidades menores de nutrientes, cada decisão de manejo passa a ter mais importância.

O documento recomenda seguir orientações técnicas de adubação, citando como exemplo o Boletim 100 do IAC, além das recomendações de serviços de extensão, universidades e empresas especializadas e idôneas.

Também podem ser consideradas fontes disponíveis localmente, como estercos, compostos orgânicos e outros materiais que permitam reciclar nutrientes.

Isso não significa substituir automaticamente um fertilizante mineral por qualquer fonte alternativa.

Significa olhar para todo o sistema e procurar maneiras tecnicamente adequadas de aproveitar melhor os nutrientes disponíveis.

E os bioinsumos? Eles podem substituir os fertilizantes?

Esse é outro ponto importante levantado pelos autores.

O material relata aumento da área tratada com bioinsumos, incluindo microrganismos fixadores de nitrogênio utilizados em cereais como milho e trigo e bactérias solubilizadoras de fósforo.

Mas existe uma ressalva muito importante:

Os bioinsumos podem ajudar a reduzir parcialmente a necessidade de determinados fertilizantes, mas não são capazes de substituir 100% dos fertilizantes minerais.

Esse cuidado é importante porque às vezes encontramos a ideia de que um produto biológico simplesmente eliminará a necessidade de adubação.

Não é isso que o documento afirma.

Cuidado ao usar a “poupança” do solo

Talvez uma das melhores formas de entender a recomendação dos pesquisadores seja pensar na fertilidade do solo como uma espécie de poupança.

Um solo que recebeu manejo adequado e adubação ao longo dos anos pode possuir reservas de determinados nutrientes.

Em algumas situações, a análise de solo pode mostrar que existe espaço para reduzir temporariamente a aplicação de determinado nutriente e utilizar parte dessa fertilidade já construída.

Mas existe um detalhe fundamental.

Essa poupança não é infinita.

Os autores alertam que reduzir ou até suspender temporariamente a aplicação de fertilizantes significa utilizar parte do estoque de nutrientes acumulado no solo.

No médio e longo prazo, continuar retirando nutrientes sem reposição pode empobrecer o solo e comprometer sua capacidade de sustentar altas produtividades.

Por isso, quando as condições econômicas e as relações de troca melhorarem, essa fertilidade utilizada durante o período de crise precisará ser recomposta por meio de adubações adequadas.

Então, como economizar fertilizante?

A principal mensagem que eu tiraria desse material é bastante simples:

Economizar fertilizante não é necessariamente aplicar menos. É utilizar melhor.

Antes de reduzir doses, precisamos entender o que existe no solo, corrigir fatores que prejudicam o aproveitamento dos nutrientes e direcionar o investimento para aquilo que realmente está limitando a produção.

Análise de solo, calagem bem planejada e boas práticas de manejo talvez não sejam novidades para quem trabalha com fertilidade.

Mas quando o fertilizante fica caro, fazer bem o básico se torna ainda mais importante.

Fonte e créditos

Este conteúdo foi elaborado a partir da leitura do documento “Crise dos fertilizantes: como apoiar agricultores diante da alta nos preços”, de Heitor Cantarella, pesquisador do Instituto Agronômico (IAC) e detentor da 5ª Cátedra Luiz de Queiroz, e Paulo Pavinato, professor associado do Departamento de Ciência do Solo da ESALQ/USP.

A publicação apresenta orientações técnicas para melhorar a eficiência no uso dos fertilizantes diante do atual cenário de preços e disponibilidade. Não se trata da apresentação de um novo experimento científico.

A campanha é uma iniciativa da 5ª Cátedra Luiz de Queiroz, da ESALQ/USP, com apoio de ANDA, ABRACAL, Instituto Agronômico (IAC), ESALQ/USP e CCARBON.

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Bicarbonato ajuda no controle do oídio? Veja o que dizem as pesquisas

setembro 28, 2026

Bicarbonato ajuda no controle do oídio? Entenda como usar e o que mostram as pesquisas

Aquele pó branco que aparece sobre as folhas pode ser sinal de oídio, uma doença bastante comum em hortas, jardins e diferentes culturas agrícolas. O bicarbonato é frequentemente citado como alternativa para o seu manejo. Mas será que funciona mesmo? E, principalmente, qual quantidade foi utilizada nas pesquisas?

Por Beatriz Karins | Engenheira Agrônoma UFPR | Bia do Agro

Quem cultiva uma horta ou cuida de plantas ornamentais provavelmente já passou por isso. Primeiro aparecem algumas manchas brancas nas folhas. Pouco tempo depois, parece que alguém jogou farinha sobre a planta.

Essa aparência é bastante característica do oídio.

Quando o problema aparece, uma das alternativas mais comentadas é o bicarbonato. É uma daquelas dicas que passam de pessoa para pessoa e aparecem aos montes na internet.

Mas existe ciência por trás disso?

Sim. Existem pesquisas que demonstraram efeito de bicarbonatos sobre o oídio.

Só que existe uma diferença enorme entre dizer que bicarbonato funciona e afirmar que qualquer quantidade de bicarbonato misturada com água pode ser aplicada em qualquer planta.

Vamos entender isso melhor.

O que é o oídio?

O oídio é o nome dado a doenças provocadas por diferentes espécies de fungos que podem atacar hortaliças, frutíferas, plantas ornamentais e diversas culturas agrícolas.

Um dos sintomas mais conhecidos é justamente a formação de uma camada branca ou acinzentada sobre a superfície das folhas.

No começo podem aparecer apenas pequenos pontos esbranquiçados. Conforme a doença evolui, essas manchas aumentam e podem ocupar boa parte da folha.

Em ataques mais severos, a doença pode reduzir a área fotossinteticamente ativa, causar amarelecimento, queda prematura das folhas e prejudicar o desenvolvimento da planta.

Por isso, não estamos falando apenas de um problema estético.

O bicarbonato realmente funciona contra o oídio?

Existem resultados experimentais bastante interessantes.

Pesquisadores avaliaram o bicarbonato de sódio no controle do oídio do pepino, em condições de casa de vegetação.

Foram testadas soluções contendo diferentes concentrações de bicarbonato de sódio e os pesquisadores observaram redução significativa na severidade e no progresso da doença.

Outro trabalho avaliou bicarbonato de potássio contra o oídio da soja e também encontrou efeito sobre a doença.

Portanto, a utilização de bicarbonatos contra o oídio não nasceu simplesmente de uma receita que circula pela internet.

Existe pesquisa científica por trás dessa possibilidade de manejo.

Qual quantidade de bicarbonato foi utilizada?

Agora chegamos à parte que costuma gerar mais dúvidas.

No experimento realizado com pepino foram avaliadas diferentes concentrações de bicarbonato de sódio.

Entre as concentrações estudadas estavam soluções na faixa de 0,5% a 2% de bicarbonato de sódio, aplicadas sobre as plantas em condições experimentais.

Mas o que significa uma solução de 1%, por exemplo?

Em uma relação simples de massa por volume:

0,5% corresponde aproximadamente a 5 gramas por litro de água.

1% corresponde aproximadamente a 10 gramas por litro de água.

1,5% corresponde aproximadamente a 15 gramas por litro de água.

2% corresponde aproximadamente a 20 gramas por litro de água.

Essa conversão ajuda a entender as concentrações utilizadas experimentalmente.

Mas atenção: isso não significa que 20 gramas por litro seja uma receita que deva ser aplicada indiscriminadamente em qualquer planta.

A tolerância varia entre espécies e condições de cultivo.

Então posso preparar 10 gramas por litro e pulverizar?

É justamente aqui que precisamos separar duas coisas.

Uma coisa é dizer:

“Uma pesquisa avaliou determinada concentração e encontrou determinado resultado.”

Outra, bastante diferente, é afirmar:

“Essa é a dose recomendada para qualquer planta.”

Os estudos foram conduzidos sob condições específicas, com culturas determinadas, metodologia própria e acompanhamento dos pesquisadores.

Por isso, os valores apresentados aqui servem para mostrar o que foi estudado cientificamente, e não para criar uma recomendação universal.

Para quem está pensando em testar uma alternativa desse tipo em poucas plantas de uma horta doméstica, prudência é fundamental.

Antes de qualquer aplicação generalizada, é importante considerar a espécie vegetal e testar a tolerância em uma pequena área ou em poucas folhas, observando posteriormente se surgem queimaduras, manchas ou outros sinais de fitotoxicidade.

Bicarbonato de sódio e bicarbonato de potássio são iguais?

Não.

O bicarbonato de sódio é o produto muito conhecido no ambiente doméstico.

Já o bicarbonato de potássio também tem sido estudado para o manejo de doenças de plantas, incluindo o oídio.

Em trabalho realizado com soja, pesquisadores observaram redução da doença com bicarbonato de potássio.

Os resultados também mostraram ação sobre estruturas do próprio fungo, interferindo na germinação e formação de conídios.

Isso ajuda a explicar por que esses compostos podem dificultar o desenvolvimento do patógeno.

Mais bicarbonato significa mais controle?

Não necessariamente.

E esse é provavelmente um dos pontos mais importantes deste artigo.

Em experimentos com bicarbonato de potássio, concentrações mais elevadas apresentaram bom efeito sobre a doença, mas também foram observados sintomas de fitotoxicidade em determinadas condições.

Em outras palavras, aquilo que prejudica o fungo também pode prejudicar a planta quando utilizado inadequadamente.

É por isso que uma receita da internet dizendo apenas:

“Coloque algumas colheres de bicarbonato em água e pulverize.”

não é uma orientação suficientemente segura.

Precisamos saber qual produto está sendo utilizado, sua concentração, a espécie vegetal, o estágio da planta e as condições da aplicação.

Como a aplicação foi estudada?

Nos experimentos, as soluções foram aplicadas diretamente sobre as plantas, de forma a atingir a superfície vegetal onde o patógeno se desenvolve.

Isso faz sentido porque o oídio apresenta grande parte de suas estruturas sobre a superfície dos tecidos vegetais.

Portanto, quando falamos de bicarbonato nesse contexto, estamos falando principalmente de aplicação foliar, e não de colocar bicarbonato no solo ou na água de irrigação.

Aplicar bicarbonato no solo sem necessidade é outra história e pode interferir em características químicas do ambiente radicular.

O momento da aplicação também importa

Esperar até que praticamente toda a planta esteja coberta de oídio não é uma boa estratégia.

Alternativas de contato tendem a fazer mais sentido quando utilizadas dentro de um manejo iniciado nos primeiros sinais da doença.

Por isso, a observação frequente das plantas é tão importante.

Encontrou as primeiras manchas?

Observe as folhas próximas.

Veja se os sintomas estão aumentando.

Confira outras plantas.

E, principalmente, tenha certeza de que realmente se trata de oídio.

Nem toda mancha branca é a mesma coisa.

E colocar detergente, óleo ou leite junto?

Aqui eu teria cautela.

Existem diversas receitas circulando na internet combinando bicarbonato, detergente, óleo vegetal, leite e outros ingredientes.

Alguns desses componentes também já foram objeto de pesquisas separadamente.

Mas misturar várias substâncias simplesmente porque cada uma possui alguma fama de funcionar não significa que a combinação seja melhor ou mais segura.

A mistura pode modificar a aderência, a cobertura e até a fitotoxicidade da solução.

Por isso, quando apresentamos uma pesquisa, prefiro manter a informação fiel ao que efetivamente foi estudado.

Manejo do oídio não começa no pulverizador

Essa talvez seja a parte menos chamativa, mas é uma das mais importantes.

Antes de procurar qualquer produto, observe o ambiente onde as plantas estão crescendo.

O manejo pode incluir:

Boa circulação de ar entre as plantas.

Espaçamento adequado.

Remoção criteriosa de tecidos muito comprometidos.

Monitoramento frequente das folhas.

Utilização de mudas sadias.

Escolha de cultivares menos suscetíveis quando disponíveis.

Manejo adequado da nutrição e irrigação.

Quanto mais cedo identificamos o problema, mais opções temos para manejá lo.

E para quem tem uma horta em casa?

Na horta doméstica existe uma vantagem enorme: normalmente conseguimos olhar cada planta individualmente.

Use isso a seu favor.

Virar algumas folhas, observar brotações novas e perceber pequenas alterações antes que o problema avance pode fazer uma diferença enorme.

E aqui entra uma regra simples que vale para muita coisa na agronomia:

Antes de tratar, identifique.

Se você não sabe qual é o problema, fica muito difícil escolher corretamente a solução.

Natural não significa inofensivo

Esse é outro conceito importante.

Um produto ser simples, doméstico ou considerado uma alternativa não significa que possa ser aplicado em qualquer concentração.

Até substâncias relativamente comuns podem provocar danos aos tecidos vegetais.

Por isso, concentração importa.

Cultura importa.

Momento de aplicação importa.

Condição ambiental importa.

Agronomia raramente combina com receitas universais.

E em produção comercial?

Quando saímos de algumas plantas no quintal e entramos em produção agrícola comercial, o assunto exige ainda mais cuidado.

O produtor deve considerar produtos registrados, culturas autorizadas, doses, intervalos de aplicação, período de carência quando aplicável e demais exigências previstas na legislação.

No Brasil, essas informações podem ser consultadas nos sistemas oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Resultados de experimentos científicos são extremamente importantes para desenvolver novas estratégias de manejo, mas não substituem automaticamente as recomendações de produtos devidamente registrados para uso agrícola.

Afinal, vale a pena considerar o bicarbonato contra o oídio?

Os estudos mostram que bicarbonatos podem apresentar efeito interessante sobre o oídio.

Isso torna o assunto muito mais interessante do que simplesmente classificá lo como uma receita caseira.

Há ciência por trás dessa alternativa.

Ao mesmo tempo, a própria ciência nos mostra que concentração e condições de aplicação fazem diferença e que doses inadequadas podem provocar fitotoxicidade.

Se existe uma mensagem para guardar deste artigo, é esta:

Bicarbonato pode ser uma ferramenta auxiliar no manejo do oídio, mas não existe uma receita universal que sirva para todas as plantas.

Observe a cultura, identifique corretamente a doença e tenha cuidado com a concentração utilizada.

No final das contas, entender o problema continua sendo muito mais eficiente do que simplesmente aplicar alguma coisa porque alguém disse que funciona.

Fontes consultadas

Embrapa Amazônia Ocidental

Santos, J. C. P. dos e colaboradores. Controle do oídio do pepino pelo uso de bicarbonato de sódio em condições de casa de vegetação.

Embrapa Meio Ambiente e UNESP

Medice, R.; Bettiol, W.; Mello Altéa, U. Q. Trabalhos relacionados ao efeito do bicarbonato de potássio sobre o oídio da soja.

Ministério da Agricultura e Pecuária

Sistema oficial para consulta de produtos fitossanitários registrados no Brasil.


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Onda de calor do El Niño: Brasil pode passar dos 40 °C

setembro 28, 2026

Primeira onda de calor do El Niño: temperaturas podem passar dos 40 °C e chuva volta ao radar

O Brasil enfrenta a primeira onda de calor da primavera de 2026 em meio a um El Niño que segue ganhando força. O episódio traz temperaturas excepcionalmente altas para diversas regiões do país e, ao mesmo tempo, aumenta a atenção para a chegada de tempestades e mudanças no padrão das chuvas.

Por Beatriz Karins — Engenheira Agrônoma | Bia do Agro

28 de setembro de 2026

A primavera mal começou e o calor já ganhou destaque em boa parte do Brasil.

Uma massa de ar excepcionalmente quente atua sobre parte da América do Sul e provoca temperaturas muito acima do normal em áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a primeira onda de calor da primavera começou no sábado, dia 26 de setembro. Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná estão entre os estados abrangidos integralmente pelo alerta, enquanto outras áreas do Centro-Oeste e Sudeste também enfrentam temperaturas muito elevadas.

Em algumas localidades do Brasil Central, os termômetros podem ultrapassar 40 °C.

Mas há outro componente importante nessa história: o El Niño está de volta e continua se intensificando.

O que o El Niño tem a ver com esse calor?

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e pode provocar alterações importantes na circulação atmosférica e no regime de chuvas e temperaturas em diversas partes do planeta.

O fenômeno já está estabelecido em 2026.

Dados divulgados pelo CPTEC/INPE indicam aquecimento acima da média no Pacífico Equatorial e apontam para a persistência e intensificação dessas condições durante a primavera.

Isso não significa, porém, que todo episódio individual de calor seja causado exclusivamente pelo El Niño.

O calor observado neste fim de setembro está diretamente associado à presença de uma massa de ar excepcionalmente quente sobre a parte central da América do Sul. O El Niño faz parte de um cenário climático mais amplo capaz de favorecer alterações nos padrões de temperatura e precipitação ao longo da estação.

Quão forte será essa onda de calor?

O INMET prevê temperaturas muito elevadas em diferentes áreas do país.

Em cidades de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, as máximas podem ultrapassar os 40 °C. Cuiabá, por exemplo, entrou nas projeções com máximas próximas dos 41 °C.

Análises meteorológicas também indicam possibilidade de marcas entre 43 °C e 45 °C de forma localizada em áreas sob influência da massa de ar extremamente quente na América do Sul.

Mais importante do que olhar apenas para o número registrado no termômetro é observar por quanto tempo essas temperaturas permanecem acima do normal.

Uma onda de calor caracteriza-se justamente pela persistência de temperaturas excepcionalmente altas durante vários dias.

E o Paraná?

O Paraná também está no caminho dessa onda de calor.

O estado foi incluído integralmente na área de alerta do INMET, juntamente com Mato Grosso do Sul e São Paulo.

E a situação chama atenção porque o calor não é o único fenômeno meteorológico presente.

Ao mesmo tempo em que as temperaturas permanecem elevadas, áreas de instabilidade avançam e há alertas para ocorrência de tempestades em diferentes regiões paranaenses.

É aquele cenário bastante conhecido na primavera: calor, aumento da umidade e mudanças rápidas nas condições atmosféricas.

Depois do calor vem chuva?

Em algumas regiões, sim — mas é preciso tomar cuidado com essa afirmação.

Calor intenso sozinho não significa necessariamente que irá chover.

Para ocorrer precipitação, é necessária uma combinação de fatores, incluindo disponibilidade de umidade e condições atmosféricas favoráveis à formação das nuvens.

Neste episódio, entretanto, existe previsão de mudança do tempo.

Uma frente fria deve avançar pelo Sul do Brasil no decorrer da semana, contribuindo para reduzir as temperaturas em algumas áreas e favorecendo instabilidades.

No Paraná, inclusive, já existem áreas com previsão de chuva e risco de tempestades.

Portanto, podemos passar em poucos dias de um cenário de calor intenso para outro marcado por chuvas, rajadas de vento e tempestades localizadas.

E o que isso representa para a agricultura?

Para quem trabalha no campo — ou simplesmente mantém uma horta ou pomar em casa — períodos de calor intenso exigem atenção.

Temperaturas muito elevadas aumentam a perda de água pelas plantas e pelo solo, elevando a demanda hídrica das culturas.

Dependendo da espécie e da fase de desenvolvimento, o estresse térmico também pode afetar processos como:

  • florescimento;

  • pegamento de frutos;

  • fotossíntese;

  • crescimento;

  • qualidade dos frutos;

  • eficiência da irrigação;

  • absorção e transporte de nutrientes.

Hortaliças são particularmente sensíveis a determinados extremos de temperatura.

Tomate, alface, morango, pimentão e outras culturas podem apresentar respostas diferentes ao calor dependendo da variedade, estágio de desenvolvimento, disponibilidade de água e manejo adotado.

Irrigar mais resolve?

Não necessariamente.

Em períodos muito quentes, é natural que a necessidade de água aumente. Mas simplesmente aumentar a quantidade de irrigação sem observar o solo pode provocar outros problemas.

O ideal é acompanhar a umidade do solo e ajustar a frequência e a lâmina de irrigação conforme a cultura, o tipo de solo e as condições ambientais.

Também é importante evitar grandes oscilações entre períodos de solo muito seco e muito úmido.

Em algumas culturas, essas mudanças bruscas podem favorecer problemas fisiológicos e comprometer a qualidade da produção.

Calor seguido de chuva também merece atenção

Outro ponto importante para o produtor é justamente a transição.

Depois de vários dias quentes, a chegada de umidade e chuva pode alterar rapidamente as condições dentro da lavoura.

Maior período de molhamento foliar e elevada umidade relativa podem criar condições favoráveis ao desenvolvimento de determinadas doenças.

Por isso, acompanhar a previsão meteorológica não serve apenas para decidir quando irrigar ou plantar.

O clima faz parte do manejo.

O El Niño ainda deve permanecer conosco

As projeções climáticas indicam que o El Niño deve continuar atuando nos próximos meses.

O CPTEC/INPE aponta manutenção das condições de El Niño pelo menos até o primeiro trimestre de 2027, com forte sinal de intensificação durante a primavera de 2026.

Isso significa que ainda poderemos acompanhar muitos episódios importantes envolvendo chuva, calor e eventos meteorológicos extremos durante esta primavera e o próximo verão.

Mas vale lembrar: El Niño não é previsão do tempo.

Ele influencia os padrões climáticos em escalas maiores. Para saber se vai chover amanhã em uma determinada cidade, continuam sendo necessárias previsões meteorológicas de curto prazo.

Para quem produz, informação também é ferramenta de manejo

Temperatura, chuva, umidade e vento interferem diretamente na agricultura.

Por isso, acompanhar as mudanças meteorológicas e entender o que existe por trás delas ajuda na tomada de decisões — desde uma pequena horta doméstica até áreas comerciais de produção.

E esta primeira onda de calor da primavera mostra justamente isso: em poucos dias podemos passar de temperaturas excepcionalmente elevadas para um cenário de instabilidade e tempestades em determinadas regiões.

A primavera de 2026 está apenas começando.

E, com um El Niño intenso em desenvolvimento, o clima certamente será um dos assuntos que continuaremos acompanhando por aqui.


Fontes consultadas

Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) — boletins e alertas meteorológicos sobre a primeira onda de calor da primavera de 2026.

Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE) — monitoramento do El Niño/Oscilação Sul (ENOS).

SIMEPAR — Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná.

MetSul Meteorologia — análises sobre a massa de ar quente e os episódios de chuva no Centro-Sul do Brasil.


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