Greening, cancro cítrico e leprose: sintomas, diferenças e manejo das doenças dos citros

outubro 02, 2026

Greening, cancro cítrico e leprose estão entre os problemas fitossanitários que exigem atenção na citricultura. Apesar de afetarem os citros, essas doenças possuem causas, sintomas e estratégias de manejo diferentes. Entenda como reconhecer os principais sinais e por que o diagnóstico correto é fundamental.

Beatriz Karins | Engenheira Agrônoma UFPR | Bia do Agro

Folhas amareladas, lesões nos frutos, queda prematura e redução da produção são
sinais que podem aparecer em diferentes problemas fitossanitários dos citros.

Mas será que todos esses sintomas indicam a mesma doença?

Não. Na citricultura, identificar corretamente a causa de uma alteração é fundamental para definir as medidas de manejo.

Esse assunto ganhou destaque em uma publicação da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), divulgada em 1º de outubro de 2026, anunciando o Simpósio de Manejo e Fitossanidade do Citros, previsto para 16 de outubro, em Piracicaba (SP).

A programação contempla discussões sobre greening, cancro cítrico, leprose, manejo de doenças e pós-colheita.

Aproveitando essa pauta, vamos entender as principais diferenças entre três doenças importantes para a produção brasileira de citros.

Greening, cancro cítrico e leprose são a mesma doença?

Não. Embora possam afetar plantas cítricas e comprometer a produção, possuem agentes causais e características epidemiológicas diferentes.

O greening, também conhecido como Huanglongbing (HLB), é uma doença associada a bactérias do gênero Candidatus Liberibacter, transmitidas principalmente pelo psilídeo Diaphorina citri.

O cancro cítrico é uma doença bacteriana causada por Xanthomonas citri subsp. citri.

Já a leprose dos citros é uma doença viral. No Brasil, está associada principalmente ao vírus Citrus leprosis virus C (CiLV-C), transmitido pelo ácaro Brevipalpus yothersi.

Essas diferenças explicam por que não existe uma única estratégia de controle capaz de resolver os três problemas.

1. Greening dos citros: o que é e quais são os sintomas?

O greening é considerado pelo Fundecitrus uma das maiores ameaças fitossanitárias à citricultura.

A doença afeta o funcionamento da planta, compromete a produção e pode provocar seu declínio progressivo.

Entre os sintomas característicos está o mosqueado assimétrico das folhas, com áreas verdes e amareladas distribuídas de maneira irregular.

Também podem aparecer ramos amarelados, frutos pequenos, deformados, com maturação irregular e queda prematura.

Segundo o Fundecitrus, ainda não existe cura para plantas infectadas.

Como o greening é transmitido?

A principal forma de disseminação no campo envolve o psilídeo Diaphorina citri.

O inseto pode adquirir a bactéria ao se alimentar de uma planta infectada e transmiti-la posteriormente a outras plantas.

Por isso, o manejo não pode considerar apenas a árvore que apresenta sintomas. Também precisa avaliar a presença do inseto vetor e as fontes de inóculo na região.

Como é feito o manejo do greening?

O Fundecitrus destaca medidas integradas, como utilização de mudas sadias, inspeção dos pomares, manejo das plantas infectadas conforme as normas fitossanitárias aplicáveis e monitoramento e controle do psilídeo.

O manejo regional também é importante porque o inseto pode se deslocar entre propriedades.

Uma recomendação isolada, sem considerar a situação fitossanitária da área, não substitui um programa de manejo estruturado.

2. Cancro cítrico: como reconhecer as lesões?

O cancro cítrico apresenta características diferentes do greening.

Seu agente causal é uma bactéria, e os sintomas típicos incluem lesões que podem ocorrer em folhas, frutos e ramos.

Nas folhas, as lesões podem começar como pequenos pontos e evoluir para estruturas salientes, de aspecto corticoso, frequentemente acompanhadas por um halo amarelado.

Essas lesões podem ser observadas nas duas faces da folha.

Nos frutos, o cancro também provoca lesões que comprometem a aparência comercial e podem contribuir para a queda prematura.

O que favorece a disseminação do cancro cítrico?

A disseminação da bactéria está relacionada principalmente à água da chuva associada ao vento, além da movimentação de materiais vegetais contaminados.

Ferimentos também podem facilitar a infecção.

O minador-dos-citros, por exemplo, provoca lesões nas folhas que favorecem a entrada da bactéria causadora do cancro.

Como é feito o manejo do cancro cítrico?

As estratégias envolvem medidas preventivas e de redução da disseminação.

Entre elas estão a utilização de mudas sadias, escolha de variedades considerando a suscetibilidade, emprego de quebra-ventos, manejo do minador-dos-citros e cuidados com a movimentação de equipamentos e materiais entre áreas.

Produtos à base de cobre também fazem parte de programas técnicos de manejo em determinadas condições, respeitando o registro, a cultura, a recomendação profissional e as exigências legais.

O manejo precisa considerar a idade das plantas, as brotações, as condições ambientais e o destino comercial dos frutos.

3. Leprose dos citros: qual é o papel do ácaro?

A leprose é uma doença viral transmitida por ácaros do gênero Brevipalpus, principalmente B. yothersi no caso do CiLV-C.

Ela afeta especialmente laranjeiras-doces e pode provocar danos em folhas, frutos e ramos.

Uma característica importante é que os sintomas associados ao CiLV-C são localizados, aparecendo nas regiões onde ocorre a transmissão do vírus pelo ácaro.

Quais são os sintomas da leprose?

Nas folhas, podem surgir manchas circulares cloróticas, algumas acompanhadas por anéis necróticos.

Nos frutos, são observadas lesões circulares que podem apresentar depressão, necrose e alterações de coloração.

Nos ramos, as lesões podem evoluir para áreas corticosas e comprometimento dos tecidos.

Em ataques severos, a doença pode provocar queda de folhas e frutos, seca de ramos e redução da longevidade da planta.

Como é feito o manejo da leprose?

O manejo envolve reduzir as fontes do vírus e acompanhar a população do ácaro vetor.

O Fundecitrus recomenda medidas como utilização de mudas sadias, monitoramento do ácaro, cuidados com materiais utilizados na colheita e manejo de tecidos e estruturas que favoreçam a manutenção do problema no pomar.

Quando necessário, o controle químico do ácaro deve ser fundamentado no monitoramento e realizado com produtos registrados, observando as recomendações técnicas e estratégias de manejo da resistência.

É importante lembrar que o ácaro é o vetor. O agente causador da leprose é o vírus.

Como diferenciar greening, cancro cítrico e leprose?

Para facilitar a comparação, observe as principais características das três doenças:

Característica Greening Cancro cítrico Leprose
Agente causal Bactéria associada ao HLB Bactéria Vírus
Disseminação importante Psilídeo Chuva, vento e materiais contaminados Ácaro vetor
Sinais característicos Mosqueado assimétrico e maturação irregular Lesões salientes e corticosas Lesões localizadas, frequentemente circulares
Foco do manejo Fontes de inóculo e psilídeo Prevenção da infecção e disseminação Fontes do vírus e ácaro vetor

Essa comparação ajuda a compreender as diferenças gerais, mas não substitui o diagnóstico fitossanitário.

Uma folha amarela significa greening?

Não necessariamente.

O amarelecimento das folhas pode ocorrer por diferentes fatores, incluindo problemas nutricionais, alterações no sistema radicular, condições ambientais e outras doenças.

No greening, o padrão de mosqueado assimétrico é uma pista importante, mas precisa ser interpretado junto com outros sinais e com o histórico fitossanitário do pomar.

Se você deseja compreender melhor as possíveis causas desse sintoma, veja também nosso artigo sobre por que as folhas das plantas ficam amarelas.

Por que o monitoramento do pomar é tão importante?

As três doenças demonstram a importância de acompanhar regularmente as condições fitossanitárias das plantas.

No greening, o monitoramento do psilídeo e a identificação das plantas infectadas fazem parte das estratégias de manejo.

No cancro cítrico, a inspeção ajuda a identificar sintomas e orientar medidas para reduzir a disseminação.

Na leprose, o acompanhamento da população do ácaro vetor e da ocorrência de lesões é fundamental para planejar as intervenções.

O monitoramento também permite registrar a evolução dos problemas e avaliar a eficiência das práticas adotadas.

O simpósio da ESALQ e a importância da atualização técnica

A discussão dessas doenças também estará presente no Simpósio de Manejo e Fitossanidade do Citros, anunciado oficialmente pela ESALQ/USP em 1º de outubro de 2026.

O evento está previsto para 16 de outubro, das 8h às 18h, no Anfiteatro do Pavilhão da Engenharia, em Piracicaba (SP).

A programação reúne pesquisadores e profissionais para abordar greening, cancro cítrico, leprose, estratégias de manejo e doenças relacionadas à pós-colheita.

O anúncio do evento não representa, por si só, uma nova descoberta científica. Ele evidencia a continuidade das discussões técnicas sobre problemas que exigem atenção da citricultura brasileira.

Diagnóstico correto é o primeiro passo para o manejo

Greening, cancro cítrico e leprose podem comprometer a produção, mas não devem ser tratados como se fossem uma única doença.

Cada uma apresenta características próprias de infecção, disseminação e desenvolvimento.

Por isso, antes de adotar qualquer medida, é necessário observar os sintomas, avaliar o histórico da área, considerar a presença de vetores e, quando necessário, recorrer a métodos específicos de diagnóstico.

Na fitossanidade, reconhecer o problema corretamente é fundamental para evitar intervenções inadequadas e construir um manejo eficiente.

Fontes consultadas

ESALQ/USP. Comunicado publicado em 1º de outubro de 2026. ESALQ/USP promove Simpósio de Manejo e Fitossanidade do Citros.

Fundecitrus. Greening e psilídeo. Informações sobre sintomas, transmissão e manejo da doença.

Fundecitrus. Cancro cítrico. Material técnico sobre agente causal, sintomas, disseminação e medidas de controle.

Fundecitrus. Leprose e ácaro-da-leprose. Material sobre o vírus, o ácaro vetor, os sintomas e o manejo.

Fundecitrus. Materiais técnicos e manuais de pragas e doenças dos citros.

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