A produção de uvas e vinhos entrou em pauta como alternativa de diversificação da agricultura familiar na Costa Doce e na Serra do Sudeste, no Rio Grande do Sul. Seminário realizado em Camaquã reuniu produtores, técnicos e representantes do setor para discutir perspectivas da vitivinicultura regional.
Beatriz Karins | Engenheira Agrônoma UFPR | Bia do Agro
O assunto foi abordado no I Seminário Vitivinícola da Região da Costa Doce e Serra do Sudeste, realizado em 30 de setembro de 2026, no município de Camaquã (RS).
Segundo reportagem publicada pela Cristal Web Rádio na mesma data, o encontro reuniu produtores rurais, técnicos e representantes de entidades ligadas ao setor para discutir as perspectivas da produção regional de uvas e vinhos.
O que foi discutido no seminário?
A iniciativa foi promovida pelo Consevitis-RS, por meio de seu projeto de Articulação Institucional, em parceria com a Emater.
O evento aconteceu no Altos Paraíso Vinhedos, em Camaquã, tendo como proposta aproximar produtores e representantes do setor para discutir possibilidades relacionadas à vitivinicultura na Costa Doce e na Serra do Sudeste.
Um dos pontos destacados foi a diversificação produtiva, especialmente para agricultores familiares interessados em conhecer atividades que possam complementar aquelas já desenvolvidas em suas propriedades.
Por que a fruticultura entrou nessa discussão?
A fruticultura foi apresentada como uma das possibilidades de diversificação da produção agrícola regional.
Dentro desse contexto, a produção de uvas e vinhos recebeu atenção por representar uma atividade que pode envolver tanto o cultivo agrícola quanto etapas de beneficiamento e comercialização.
A reportagem também destacou o interesse em aproximar agricultores de experiências já existentes em municípios próximos.
Para produtores de Cristal e de outras localidades da região, o encontro representou uma oportunidade de conhecer melhor o setor e discutir suas possibilidades.
A diversificação pode criar novas oportunidades para a agricultura familiar?
A inclusão de novas atividades produtivas pode ser considerada no planejamento de uma propriedade rural, especialmente quando existe interesse em desenvolver diferentes fontes de receita.
Entretanto, diversificar não significa simplesmente introduzir uma nova cultura.
Antes de qualquer investimento, é importante avaliar as condições da propriedade, a disponibilidade de recursos, as exigências técnicas da atividade e as possibilidades reais de comercialização.
No caso da vitivinicultura, a discussão também envolve o destino da produção, que pode atender diferentes segmentos conforme as características das uvas cultivadas e a estrutura disponível.
Enoturismo também apareceu entre as possibilidades
Além do cultivo de uvas e da produção de vinhos, a reportagem da Cristal Web Rádio destacou o enoturismo como uma das atividades associadas ao possível desenvolvimento regional do setor.
Essa modalidade relaciona a produção vitivinícola com experiências turísticas, visitas a propriedades e atividades ligadas à cultura do vinho.
No entanto, sua implantação depende de fatores que vão além da produção agrícola, como infraestrutura, localização, investimentos e demanda turística.
Portanto, trata-se de uma possibilidade mencionada no contexto da iniciativa, e não de um resultado econômico já demonstrado para as propriedades participantes.
O que ainda precisa ser avaliado?
O seminário representa uma iniciativa de articulação e discussão setorial. Isso é diferente de afirmar que a vitivinicultura já demonstrou viabilidade técnica e econômica para todas as propriedades da região.
Para uma avaliação mais completa, seriam necessários dados específicos sobre adaptação das cultivares, produtividade, custos de implantação e manutenção, disponibilidade de mão de obra, estrutura produtiva e comercialização.
Também seria importante acompanhar experiências locais ao longo de diferentes ciclos produtivos, considerando as particularidades de cada propriedade.
Uma atividade pode representar uma oportunidade regional, mas sua adoção precisa ser avaliada individualmente e com orientação técnica.
Um movimento que merece acompanhamento
A realização do I Seminário Vitivinícola da Costa Doce e Serra do Sudeste mostra que a produção de uvas e vinhos está sendo discutida como uma possibilidade de diversificação para a agricultura familiar da região.
O encontro também evidencia a importância da aproximação entre produtores, assistência técnica e entidades ligadas às cadeias produtivas.
Por enquanto, o principal destaque é a iniciativa de articulação e troca de conhecimentos.
Os resultados práticos dessa proposta, incluindo sua contribuição para a renda das propriedades, dependerão de avaliações técnicas e econômicas e do acompanhamento das experiências que forem desenvolvidas.
Fonte consultada
Cristal Web Rádio. Reportagem publicada em 30 de setembro de 2026, às 19h42. Vitivinicultura ganha força na Costa Doce e aponta novos caminhos para a agricultura familiar. Cobertura do I Seminário Vitivinícola da Região da Costa Doce e Serra do Sudeste.
Nota editorial: este conteúdo possui caráter informativo e apresenta uma iniciativa setorial divulgada publicamente. Não constitui recomendação técnica de implantação de vinhedos nem comprovação de viabilidade econômica da atividade na região.
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